quarta-feira, 27 de junho de 2007

PUBLICAÇÃO DO MEU ARTIGO!!!!!!

A Concepção da Internet como simples “ferramenta” ou como constituinte do processo de aprendizagem


Verônica Terto Ferreira Vieira



Resumo:


Esse artigo tem a finalidade de levantar as concepções que se tem, nas escolas, e pela sociedade em geral, com relação ao uso da Internet na forma de “ferramenta”, garantindo apenas o auxílio dos alunos, como também na forma de construção do conhecimento.


Palavras-chave:

Internet, educação, pesquisa, ferramenta, construção do conhecimento.


No contexto contemporâneo, percebe-se uma mudança na sociedade por conta do uso generalizado das tecnologias em todos os contextos, inclusive nas escolas. No espaço escolar, normalmente, as práticas quanto ao uso da Internet são da utilização desta como mera ferramenta para pesquisa.
Se antes os alunos buscavam informação na biblioteca ou diretamente com os professores, hoje eles buscam a Internet. Dessa forma, as práticas escolares, subutilizam as potencialidades da rede. Isto acontece pela falta de formação de professores e pela utilização de uma metodologia de trabalho mais em sintonia com contextos analógicos.


Por conta dessa visão de se ter tecnologia como auxílio da pesquisa, os professores se queixam que os trabalhos apresentados pelos alunos são cópias do que buscam na rede. Isso acontece porque nem o próprio professor entende a complexidade de um processo de pesquisa, o que engloba a definição de um problema de pesquisa, coleta de informações, análise das informações, construção de novos conhecimentos a partir das dinâmicas propostas. Ele limita-se a uma das etapas apenas: a de coleta de informações, o que implica uma apropriação apenas instrumental da rede.

O próprio educador precisa entender e mostrar a seus alunos que o que eles percebem como “ferramenta”, é uma estrutura que permite acesso a uma infinita gama de informações, comunicação, interatividade, espaço de socialização e essas possibilidades precisam ser dinamizadas entre todos: alunos e alunos, alunos e professores e professores entre eles mesmos, favorecendo, dessa forma, a construção de um posicionamento, por parte de cada um, a respeito do tema em questão.

Os professores que utilizam a Internet como ferramenta, normalmente, são contra o uso da própria Internet, pois acreditam que o acesso às informações é muito fácil, e assim, possibilita a prática da cópia. O que o professor ainda não percebeu é que da mesma forma que se pode copiar da Internet, pode-se também copiar de um material impresso (o qual sempre foi indicado pelos professores), como vem sendo feito ao longo dos tempos, no processo de escolarização do sujeito. No entanto, não é o impresso que por si só que vai garantir que não haja cópia e que os alunos sejam mais críticos e tenham posicionamento próprio, até porque os alunos muitas vezes utilizaram como estratégia a cópia dos livros. Também o problema não está na cópia, pois muitas vezes é preciso fazer uso dela para coleta de informações. Então, é necessário o amadurecimento da concepção que se tem sobre o meio a ser pesquisado. O importante não é que haja a pura transmissão, a assimilação automática, mas a construção do conhecimento, através da seleção do que copiar.

Para que ocorra essa mudança de concepção, é necessário que a escola perceba que a Internet não serve apenas para a função de fazer pesquisa em sites de busca, ou enciclopédias virtuais, e também que tenha a consciência de que não se deve amedrontar os alunos, pedindo-lhes que tenham “cuidado” com a rede, dando à Internet apenas uma característica de algo proibido, que exige cuidado, pois isso causa nos alunos uma sensação que a escola é uma obrigação imposta pelos pais, onde o lazer e o prazer em freqüentá-la não existe.



“Os alunos afirmam que a escola, e em particular
a sala de aula, tem que ser um lugar legal e não
uma chatice. Enfatizam que não gostam da
monotonia, da repetitividade e que, em função
disso, as aulas precisam ser criativas, divertidas,
interessantes. (...)” (BONILLA, 2005).



Essa insatisfação por parte dos alunos parte, no que diz respeito ao uso da Internet, justamente do fato da escola ter o costume de fazer uma separação quanto ao “que pode e o que não pode” ser acessado, induzindo o caminho a ser explorado pelo estudante. A escola precisa romper a concepção que provoca essa repercussão aos estudantes, e propiciar o desenvolvimento deles, pois não basta só tornar livre o uso da Internet, incluindo acesso a sites de relacionamento, bate papo, comunicação em tempo integral, entre outros, pois em alguns casos em que as escolas adotam essa “nova característica” de liberdade.

Por isso, é necessário que os professores saibam e mostrem aos alunos qual a forma mais proveitosa de se buscar o que quer, e, diante do que se coletou, que seja possível uma troca de todos os lados, e não só unilateral, como é o costume nas escolas.
Além disso, geralmente os trabalhos são individuais para garantir que cada um tenha realmente realizado a pesquisa. Se na concepção costumeira dos professores, a Internet possibilita apenas cópia, esta terá o mesmo efeito sendo individual ou em grupo.

Moran, em seu artigo “Como utilizar a Internet na Educação” tem a seguinte visão:




“Podemos coordenar pesquisas com objetivos bem
específicos, monitorando de perto cada etapa da
busca, pedindo que anotem os dados mais
importantes, e que reconstruam ao final os resultados
É importante sensibilizar o aluno antes para o que se
quer conseguir neste momento, neste tópico. Se o
aluno tem claro ou encontra valor no que vai pesquisar
pesquisar, o fará com mais rapidez e eficiência.
o fará com mais rapidez e eficiência. O professor
precisa estar atento, porque a tendência na Internet é
para a dispersão fácil. O intercâmbio constante de
resultados, a supervisão do professor podem ajudar a
obter melhores resultados”. (MORAN, 1997)


Adotando essa visão, os resultados podem ser ainda melhores se os professores possibilitarem a troca de material coletado, para que seja discutido entre alunos e professores, possibilitando assim o posicionamento próprio acerca do tema, e não somente da memorização do que se pesquisou. Essa é a idéia de construção e não de assimilação, e é assim que não só a Internet, mas todas as demais tecnologias devem ser vistas.

A forma de atuação dos professores, baseada em modelos próprios de contextos analógicos, que o leva à concepção de tecnologias como ferramentas, os fazem afirmar também, em geral, que Internet distancia as pessoas, pelo fato do acesso não propiciar o contato físico. Mas o contato virtual pode possibilitar comunicação com infinitas pessoas em diversas partes do mundo, em tempo real, e isso mostra que o isolamento não depende da presença física. Consideremos uma sala de aula tida como “homogênea” em relação às notas altas, e que dela faça parte um aluno com déficit de atenção, e que por isso não alcance as boas notas do grupo. Neste caso, a escola vê a homogeneidade da sala e premia o grupo por isso. O aluno em destaque não estaria “isolado” do grupo? Esse mesmo aluno, em um computador, buscando fazer parte de comunidades virtuais e chats, tratando de temas de seu interesse , estaria mais “isolado” comparando-se à sala de aula onde freqüenta todos os dias e onde não tem a possibilidade de socializar-se com os todos fluentemente? Com este exemplo, quero ressaltar que muitas vezes a sociedade atribui à Internet , ou aos meios de comunicação em geral, um problema que é da própria escola. Esta deveria atender todos os alunos, e não somente aqueles que têm as boas notas. A segregação é o que realmente distancia as pessoas.

Com uma metodologia de passar trabalhos individuais para a turma, temendo que nem todos o façam ou passar trabalhos com o mesmo tema para todos, tornando o tema repetitivo e sem acréscimos para os alunos, a escola contribui mais uma vez para a segregação. Há os casos em que os professores passam trabalhos diferentes para a turma apresentar, mas de uma forma que quem assista seja apenas receptor daquelas informações, não podendo socializar, ou mesmo não tendo interesse para isso, diante da cultura de seguir o “modelo” de “aula”.

Dessa forma, muitas das falhas nos trabalhos, cometidas pelos alunos, sejam elas de escrita abreviada, como “vc”, “tb”, entre outras, são atribuídas, pelo professor, à Internet. Pelo fato de ser na rede que a comunicação flui com muita velocidade e, que, tendenciosamente leve a este tipo de escrita, o professor julga outras falhas, enraizadas nos problemas sociais, como sendo pelo uso demasiado de tecnologias. O analfabetismo, por exemplo, é um grande problema social, mas nem por isso ele é empecilho para muitos jovens que não sabem ler, fazer uso da Internet. Logo, a visão da Internet de “deseducar” não seria contraditória ao nos depararmos com uma pessoa não letrada navegando com mais habilidade pela rede do que outra com muitas graduações?

Esse é um pensamento do modelo “hegemônico” de pensar, de agir, de implementar a cultura que se quer, modelo este que quer que as tecnologias venham, mas não mudem, apenas auxiliem. E é essa a concepção que compreende a Internet como ferramenta. A visão que precisa ser adotada é de Internet como elemento estruturante do processo de aprendizagem e não a de ferramenta, que irá auxiliar e poderá ser descartada após o uso. Não se trata de um apêndice. As tecnologias devem fazer parte de forma integrante do processo, da vida das pessoas e nas escolas, principalmente para propiciar a construção do conhecimento, pois com uma “ferramenta” o sujeito sacia o problema do momento, mas não modifica para que o mesmo problema, ou outros, não voltem a aparecer. Já como elemento estruturante o sujeito evolui, não fica apenas estabilizado. Assim, mudando a concepção com relação às tecnologias, em especial à Internet, muito se pode mudar, construir.





Referências:

BONILLA, M. B. Escola Aprendente: Para além da sociedade de Informação. Pág 76, 77, 78, 79, 80, 81, 94 e 95, Ed. Quartet, Rj, 2005.

MORAN, José Manoel, Como utilizar a Internet na Educação. 1997, disponível em http://www.eca.usp.br/prof/moran/internet.htm.

2 comentários:

Bonilla disse...

Olá Veronica,
ficou bom o artigo. Parabéns e boas férias!!!

Uma eterna aprendiz... disse...

Oi "Tia Véu" rsrsrsrsrs
Tenho três coisas para te falar:
Primeiro que foi um prazer muito grande trabalhar e construir ao seu lado. Depois dizer que achei o seu blog um fofo. E por fim salientar a qualidade do seu artigo!!! Muito bom mesmo!!
Parabéns viu...
Guardo a certeza que este é o início de uma jornda de sucesso!!
Bjão e aproveite bem as férias!!